Basta de descaso pela memória cultural.
Tomamos posição neste momento pela preservação do espaço cultural representado pelo Cinema Olympia, a mais antiga sala de cinema em funcionamento contínuo do Brasil, desde 1912.
Nosso protesto contra o fechamento, que queremos seja apenas temporário, nos faz, ao mesmo tempo, propor alternativas para sua sobrevivência física e não só em nossa memória afetiva.
Há pouco foi inaugurado em Belém um restaurante popular, com preços simbólicos, subsidiados pelo poder público. Então a pergunta que fazemos é – tendo na lembrança a conhecida canção que diz, “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte” -, por que não um cinema popular, também ele com preço de ingresso subsidiado pelo poder público? E que seja, ao mesmo tempo, um espaço de formação e apoio à produção de audiovisuais?
Por isso, nossa proposta para o Cinema Olympia é a de transformá-lo no “ESPAÇO CULTURAL CINEMA OLYMPIA”, de difusão, produção e formação de audiovisuais.
Sua viabilização poderia ser feita via parceria público-privada, sob alguma das formas de tornar isso legalmente possível.
Como sugestão de adequação de espaço físico e de atividades, propomos o seguinte:
1 – No hall haveria um espaço de conveniência, com café, lanchonete, exposição permanente sobre o cinema, galeria e artigos de recordação, etc;
2 – O espaço da sala de exibição seria dividido pela metade:
2.1 – Na parte da frente, continuaria a funcionar uma sala de exibição (short movie), com metade dos lugares:
A programação diária, com espaço privilegiado para o cinema para o cinema brasileiro, seria montada com filmes de bom nível artístico e apelo para o grande público, em duas sessões diárias as 16 e 18 horas a preços populares de R$ 2,00 e R$ 1,00.
Uma programação especial ocuparia a sala a partir de 20h30, com exibição de clássicos, mostras, curtas, etc.
Na parte da manhã, durante a semana, sábados e domingos, haveria programação infantil e infanto-juvenil, destinada especialmente, mas não exclusivamente, a grupos de alunos das escolas públicas.
2.2 – Na outra metade da atual sala de exibição, seria instalado um Núcleo de Formação e Produção audiovisuais, com:
a) 2 ou 3 salas de edição de imagens;
b) Estúdio de som
c) Salas para cursos e oficinas técnicas de formação profissional em audiovisuais (assistente de fotografia, de produção, de cenografia, roteiristas, animadores, maquinistas, eletricistas, etc.);
d) Biblioteca e videoteca especializada em audiovisuais.
Propomos que estas e outras propostas para a sobrevivência do Olímpia sejam discutidas, com cidadões e instituições interessadas e comprometidas com a preservação de nosso patrimônio, na própria sal de cinema, no dia 03/03/2006.
No mais, vida longa para o Cinema Olímpia e para o audiovisual paraense.